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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Pós-modernidade?



Andei sumido, porque não tinha muito o que dizer. Mas vamos lá...

Quando jovem, antes de visitar e/ou me hospedar numa cidade, eu costumava dar uma conferida na altura da torre das igrejas. Se fossem mais altas que os demais prédios, eu já tinha uma noção do que iria encontrar. Hoje, também dou uma investigada na quantidade de academias de musculação. Sim, porque, décadas atrás, eu ainda tentava descobrir quantas livrarias existiam, que tipo de livro vendiam e o volume de clientes nas lojas. Grandes ou pequenas, atualmente já quase não existem livrarias com livreiros de verdade, transformaram-se em "supermercados": muita gente dentro, mas poucos exemplares nas mãos dos frequentadores. Caixas praticamente sem ninguém para pagar por livros (outros produtos, sim). Há quem confunda livraria com biblioteca. Ou nem isso; o sujeito vai lá, lê de modo superficial, estraga o exemplar... e se manda dali sem adquirir obra alguma. 

As torres das igrejas, é verdade, já não são tão altas, mas se multiplicaram e se desdobraram em outras de variadas ladainhas sobre o mesmo Cristo & afins. Agora, igrejas e academias de musculação me ajudam a sondar os terrenos em que vou pisar. É tempo de fé e corpo em dia, cabeça prontinha para aceitar cabrestos (físicos e espirituais).
Essa é a tal pós-modernidade tão esperada? 
Parece que não. 
Infelizmente, andamos para trás. Perdemos alguma disputa/etapa no jogo da vida e fomos forçados a voltar muitas casas no tabuleiro da evolução.  



segunda-feira, 4 de julho de 2016



"Agora, mais que antes, Júlia acorda decidida e já vai direto para a sacada. Braços bem abertos. Mãos nervosas. Unhas negras querendo rasgar o ar. Se desse tempo, escreveria com o próprio sangue nas paredes: sou um pássaro de fogo que, no desesperado bater de asas, roga aos céus urgência para o seu voo. Respira fundo. Faz primeiro um sinal da cruz mecânico, apressado, mais pelos anos de condicionamento no colégio de freiras do que por fé. Depois, de olhos fechados, prepara o salto sem medo. Dali até a calçada, quase vinte andares. Mas a queda será macia, imagina, e tudo de ruim ficará para trás. Tombo rápido, morte que me chama sem dor. 

Metade do corpo saindo do parapeito... e a faxineira começa a girar a maçaneta da porta da suíte. 

Merda, Júlia resmunga, esqueci de trancar de novo! Pula de volta e disfarça, como tem feito ultimamente, ajeitando-se no chão para simular uma dessas complicadas posições de ioga. Não passa de hoje, promete a si mesma, acerto as contas e mando embora esse diacho de mulher enxerida!"

(© F. G. - trecho de novo conto sendo parido)